Morreu, ontem, o maior artista musical de todos os tempos. Não estou desmerecendo a voz afinada de Frank Sinatra. Nem o gingado e o ressoar profundo de Elvis Presley, com seu “Love me Tender”. Também não digo que os Beatles foram pouco. Beatles, na minha opinião foi a maior banda que já existiu, apesar de não ter vivenciado a época de ouro deles, o que me dá um pouco de racionalidade para tal julgamento. Os garotos de Liverpool, que tocavam no The Cavern, bar que conheci pessoalmente e me emocionei profundamente ao tomar cerveja com amigos sentado em frente ao palco que lançou o quarteto, foram demais. Ainda o farei novamente, ao lado da Renata, minha namorada. Faço deste texto, uma homenagem ao maior de todos. O único. O inigualável. Michael Jackson.
Quem não conhece o assunto talvez pense nele como um pedófilo sacana, que queria ser branco e por isso virou um ET com cara deformada. Bom, talvez exista alguma verdade nisso. Mas não acredito na pedofilia. Não acredito. Dou de ombros para quem o faça. Escrevo a seguir um pequeno resumo. Talvez explique o porquê de ele ser assim.
Michael Jackson nasceu pobre, filho de um louco que espancava ele e os outros irmãos quando desafinavam. Foi cercado de pobreza, violência, preconceito ( naquela época, música negra era James Brown com seu “i feel good”) que o cérebro dele deu tilt. Mesmo nesse meio e com pouca idade, tomou lugar principal nos Jacksons 5, e mostrou ao mundo que negro também sabia cantar. E cantar muito. “Ben” e “I’ll be There” talvez sejam os maiores exemplos disso. Até hoje me arrepio ao ouvi-lo, ainda criança, cantando tão afinado.
Cresceu. Enriqueceu. Mas o cérebro já tinha pifado. Não adianta “reboot”, nem “Deltree c:”. Começou a ter manias, queria ser branco. Afinal, cresceu em um lugar onde negro não valia nada. Tinha vergonha de ser negro. Tinha vergonha de ter vindo de onde veio. Conforme crescia, criava músicas e videoclipes simplesmente fenomenais. Smooth Criminal, Billie Jean. Cheios de efeitos especiais. Thriller. Até hoje, não vi clipe melhor que esse. Minha irmã de 11 anos não consegue acompanhar até o fim porque se borra de medo. A dança é hipnotizante.
Ficar branco tornou-se obsessão. Gastou fortunas em cirurgias, embora muita gente culpe uma doença chamada vitiligo pela mudança na coloração da pele. Criou NeverLand, a Terra do Nunca. Queria que outras crianças tivessem a infância que ele não teve. Que elas nunca crescessem porque sentia na pele as responsabilidades de ser mega.
Veio talvez o maior sucesso dele, Black or White. O nome diz tudo. Começava uma campanha contra problemas sociais como racismo, pobreza, guerras, violência e desmatamento. Antes de tratados de Kioto. Michael pensava nisso em um período pré-consciência sobre aquecimento global.
Ele tinha criado o Moonwalk, até hoje tentado imitar por todos – quem nunca tentou fazer esse passo? – e conseguido por poucos, mesmo sabendo a teoria. Tinha mostrado o seu lado mau com o hit “Bad”, provocou com a sensualidade em “The Way you Make me Feel”, e criou “Beat it” sucesso mundial.
Veio o problema com as crianças. Não. Não creio que ele tenha abusado sexualmente delas. Penso que falou, sim, sobre temas relacionados a sexo com crianças que mal sabiam o que era isso. Mas a cabeça dele já não conectava os neurônios. Balançava os filhos nas janelas dos hotéis, casava, separava, perdia dinheiro. Muito dinheiro. Afastou-se dos palcos. Teve que vender parte dos direitos que tinha sobre os Beatles. E também NeverLand. Duro golpe sofrido.
No fim, resolveu voltar. Marcou trocentos shows na Inglaterra e tinha agenda lotada até 2010. Mas a morte o encontrou, em sua casa em Los Angeles. Ainda não sei os motivos e, sinceramente, não me importam. Ele se foi. Foi-se o encanto, os pés elétricos que não paravam e adoravam chutar o ar ou inverter a ordem das coisas e andar para trás. Não sapateava. Não dançava. Fazia outra coisa que ainda não inventamos um nome. E nem vamos. Não surgirá outro que deixe a platéia pensando “como diabos ele faz isso???Eu nunca vi aquilo na minha vida!!!”
Agora que o Pelé dos palcos morreu, a imagem que fica é daquela criança no meio dos irmãos, cantando com uma afinação ímpar, emocionando platéias, contrastando com o morto-vivo dançando na rua. Pro mundo só resta agora lamentar. Pra mim só resta agora a reticência…