Leonel, o Cleaner

Julho 29, 2009 por brunoribas

Mais uma da saga de Leonel! Eu não havia chegado ainda em Londres, então ouvi os relatos do próprio envolvido.

Leonel era cleaner. É um nome chique, mas significa faxineiro. Lá é muito comum que os escritórios contratem uma empresa para fazer a limpeza. Essa empresa tem um banco de dados e liga para os cleaners para que eles limpem tudo. Normalmente se trabalha das 5 da manhã até as 7, horário em que chegam os funcionários do escritório. Meu amigo, Leonel, pegava o ônibus noturno, e chegava sempre no horário. Mas, claro, essa é uma história do Leonel.

Um dia, ele não acordou no horário, perdeu o ônibus, tendo que esperar outro. Chegou cerca de 20 minutos atrasado. Logo na portaria, encontrou um sujeito que ele nunca tinha visto antes. Leonel analisou-o de cima a baixo e entendeu que era outro faxineiro, talvez de outra empresa.

-Você deseja alguma coisa? –perguntou o outro faxineiro

-Não. Vim trabalhar, sou cleaner. Me atrasei um pouco, hoje.

-Um pouco? Você trabalha só 2 horas e chega 20 minutos atrasado?

-Ah, vai à merda! Sai da frente que eu tenho que trabalhar.

Leonel passou pelo sujeito, deixou-o falando sozinho, pegou o elevador e iniciou o seu trabalho. Perto das seis e meia, ele encontrou um amigo cleaner em um corredor e iniciaram uma conversa.

-Me atrasei hoje, uns 20 minutos. – iniciou Leonel.

-Putz! Justo hoje?

-Por quê? O que é que tem hoje?

-Não sei se tu viu um cara na portaria. Pois é. Ele é o nosso chefe.

Rá!

Erramos – O Fim da Advinhação

Julho 22, 2009 por brunoribas

Quem acompanhou alguns dos últimos posts pôde observar que fiz algumas previsões. No início sobre a Gripe Suína e depois sobre o fim da obrigatoriedade do diploma de jornalista.

Venho aqui dizer que falhei. Feio.

Acertei quando disse que a Gripe sumiria dos noticiários como, de fato, sumiu. Mas disse que em 2 ou 3 meses ninguém se lembraria dela. Aí começou a sucessão de enganos. Veio o inverno. A Gripe se alastrou e as mortes, que atingiram o hemisfério norte no início da “onda”, agora castigam os países do sul. A Argentina já tem números impressionantes. No Brasil, o número não é tão grande, mas vem crescendo.

Maldito inverno, que fez de mim uma espécie de Mãe Dinah. Lembram dela? Acertou em cheio na morte dos Mamonas Assassinas e depois daquele “feito” nunca mais previu nada de maneira certeira. Errou tudo! Assim fui eu: acertei no início e todo o resto foi por água abaixo.

Assim, declaro aqui, o fim da advinhação.

Ps. Essa medida pode ser revogada a qualquer momento sem prévio aviso. hehehe

O Cartão de Crédito do Leonel

Julho 10, 2009 por brunoribas

Já escrevi aqui sobre o Leonel, a pessoa mais azarada do mundo. Ele tem uma família bacana, com uma boa condição financeira e uma bela namorada. Mas é azarado.

Nessa época, dividíamos um quarto – camas separadas, diga-se de passagem – em Londres. Leonel se arrumava para sair. Eu tinha resolvido ficar em casa. Trabalhava no outro dia pela manhã e não estava muito disposto. Já meu colega de quarto adorava sair, apesar de sempre acontecer algo errado com ele.

-Ô, meu. Tu viu meu cartão? – ele perguntou.

-De crédito?

-É.

-Não. Não vai me dizer que perdeu! – respondi, temendo o óbvio.

- Não sei, não estou achando.

Não achou.Tinha perdido. Ou, como ele acredita, deve ter esquecido DENTRO do caixa eletrônico. Acabou indo sem cartão de crédito. Pegou os últimos pounds que tinha na calça e saiu de casa. Mas antes resolveu levar o passaporte. Lá é assim. Se o segurança da boate não gostar de você, não adianta chorar que não vai entrar. Então, como já haviam barrado o Leonel por levar uma cópia do passaporte, levou o original.

Dormi.

Acordei no outro dia, me arrumei para ir trabalhar e quando estou saindo, o Leonel acorda meio assustado:

-Ô, meu. Tu viu meu passaporte?

Fui obrigado a rir. Devo ter ficado o dia inteiro rindo disso. Quando cheguei em casa, ele estava nervoso. Tinha voltado na boate mas ninguém tinha encontrado o passaporte dele. Para quem vai para o exterior este é o documento mais importante de todos. E o Leonel perdeu.

-Agora eu tenho dinheiro na conta e não tenho como sacar, não tenho passaporte. Eu sou uma Lata de Lixo.

Ponho “Lata de Lixo” em maiúsculo, porque acabou por se tornar o apelido do Leonel, devido à inacreditável repetição de “botadas”, mais tarde sendo reduzido apenas a “Lata”. “de Lixo” virou sobrenome.

O fato é que era sério. Ele recebia o salário através do banco e precisava do cartão. Já havia pedido uma segunda via – a primeira de muitas –, mas nada de chegar o cartão. Oferecíamos ajuda, comida, dinheiro, enquanto o maldito não chegava. Orgulhoso, recusava. Até que um dia, foi ao banco implorar para sacar algum.

-Olha, eu não aguento mais. Eu preciso sacar um dinheiro da minha conta e o cartão não chega.

- Ah, sem problema. É só me trazer o seu passaporte.

Rá!

Lula e Ronaldo

Julho 7, 2009 por brunoribas

Poucas coisas na vida dão um nó no estomago maior do que ter que encarar alguém de quem você falou mal, considerando que essa pessoa também o ofendeu. Agora, imagine se ambos são obrigados a se aturar e até fingir admiração. Esses dias o Brasil presenciou este fato entre 2 figuras famosas da nossa pátria amada.

Vamos voltar no tempo. O ano é 2006. A seleção canarinho ousava conquistar pela sexta vez um título mundial. O grande astro verde-amarelo era Ronaldo. Mas estava gordo. O povo sabia que não levaria o mundial, mas precisava acreditar. A dúvida era tanta que a autoridade máxima do país, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, resolveu fazer uma videoconferência com Parreira, o técnico.

-Parreira, eu ouvi dizer que o Ronaldo está gordo. Ele diz que não. É verdade que ele está gordo?

O comandante da seleção fugiu pela tangente para não dizer o óbvio, o visível. Sabendo da pergunta, Ronaldo ficou muito irritado.

-Pois é. Dizem que o nosso presidente é um bêbado. Mas não é por isso que eu vou acreditar que ele é um bêbado. Mas eu gostaria de saber dele.

Não houve resposta. Para ambas as perguntas a resposta seria a mesma. Mas o povo, ah, o povo, preferiu acreditar que vivíamos sob o comando de um homem sóbrio e de um atacante magro. Perdemos a Copa e culpamos Parreira, Roberto Carlos.

Vamos avançar no tempo. 2009. Corinthians ganha a Copa do Brasil. O presidente Lula, corinthiano roxo, implora que o time, antes do retorno a São Paulo, vá à Brasília, visitá-lo. Ele queria dar os parabéns ao time. E quem, ó, destino, era o maior responsável pela incrível campanha do alvinegro? Sim, Ronaldo. Se abraçaram. Se beijaram. Lula sabe que o atacante foi fundamental, reconhece isso. Sem ele, nada disso teria acontecido. Ronaldo diz, nessa segunda-feira, 6 de julho, no Bem Amigos, do Sportv, que Lula apóia muito o Corinthians e que a situação atual do time deve-se em grande parte ao presidente. Afirmou que o líder do país não mede esforços para ajudar o Corinthians –declaração que me deixou bastante abismado e curioso para saber que tipo de apoio o presidente dá ao clube. Que venha mais uma CPI.

Agora é assim. O gordo e o bêbado, juntos, dançando a valsa nupcial. Mas eu tenho certeza que, no fundo, sentem um tremendo nó no estomago.

Foi-se Michael Jackson

Junho 26, 2009 por brunoribas

Morreu, ontem, o maior artista musical de todos os tempos. Não estou desmerecendo a voz afinada de Frank Sinatra. Nem o gingado e o ressoar profundo de Elvis Presley, com seu “Love me Tender”. Também não digo que os Beatles foram pouco. Beatles, na minha opinião foi a maior banda que já existiu, apesar de não ter vivenciado a época de ouro deles, o que me dá um pouco de racionalidade para tal julgamento. Os garotos de Liverpool, que tocavam no The Cavern, bar que conheci pessoalmente e me emocionei profundamente ao tomar cerveja com amigos sentado em frente ao palco que lançou o quarteto, foram demais. Ainda o farei novamente, ao lado da Renata, minha namorada. Faço deste texto, uma homenagem ao maior de todos. O único. O inigualável. Michael Jackson.

Quem não conhece o assunto talvez pense nele como um pedófilo sacana, que queria ser branco e por isso virou um ET com cara deformada. Bom, talvez exista alguma verdade nisso. Mas não acredito na pedofilia. Não acredito. Dou de ombros para quem o faça. Escrevo a seguir um pequeno resumo. Talvez explique o porquê de ele ser assim.

Michael Jackson nasceu pobre, filho de um louco que espancava ele e os outros irmãos quando desafinavam. Foi cercado de pobreza, violência, preconceito ( naquela época, música negra era James Brown com seu “i feel good”) que o cérebro dele deu tilt. Mesmo nesse meio e com pouca idade, tomou lugar principal nos Jacksons 5, e mostrou ao mundo que negro também sabia cantar. E cantar muito. “Ben” e “I’ll be There” talvez sejam os maiores exemplos disso. Até hoje me arrepio ao ouvi-lo, ainda criança, cantando tão afinado.

Cresceu. Enriqueceu. Mas o cérebro já tinha pifado. Não adianta “reboot”, nem “Deltree c:”. Começou a ter manias, queria ser branco. Afinal, cresceu em um lugar onde negro não valia nada. Tinha vergonha de ser negro. Tinha vergonha de ter vindo de onde veio. Conforme crescia, criava músicas e videoclipes simplesmente fenomenais. Smooth Criminal, Billie Jean. Cheios de efeitos especiais. Thriller. Até hoje, não vi clipe melhor que esse. Minha irmã de 11 anos não consegue acompanhar até o fim porque se borra de medo. A dança é hipnotizante.

Ficar branco tornou-se obsessão. Gastou fortunas em cirurgias, embora muita gente culpe uma doença chamada vitiligo pela mudança na coloração da pele. Criou NeverLand, a Terra do Nunca. Queria que outras crianças tivessem a infância que ele não teve. Que elas nunca crescessem porque sentia na pele as responsabilidades de ser mega.

Veio talvez o maior sucesso dele, Black or White. O nome diz tudo. Começava uma campanha contra problemas sociais como racismo, pobreza, guerras, violência e desmatamento. Antes de tratados de Kioto. Michael pensava nisso em um período pré-consciência sobre aquecimento global.

Ele tinha criado o Moonwalk, até hoje tentado imitar por todos – quem nunca tentou fazer esse passo? – e conseguido por poucos, mesmo sabendo a teoria. Tinha mostrado o seu lado mau com o hit “Bad”, provocou com a sensualidade em “The Way you Make me Feel”, e criou “Beat it” sucesso mundial.

Veio o problema com as crianças. Não. Não creio que ele tenha abusado sexualmente delas. Penso que falou, sim, sobre temas relacionados a sexo com crianças que mal sabiam o que era isso. Mas a cabeça dele já não conectava os neurônios. Balançava os filhos nas janelas dos hotéis, casava, separava, perdia dinheiro. Muito dinheiro. Afastou-se dos palcos. Teve que vender parte dos direitos que tinha sobre os Beatles. E também NeverLand. Duro golpe sofrido.

No fim, resolveu voltar. Marcou trocentos shows na Inglaterra e tinha agenda lotada até 2010. Mas a morte o encontrou, em sua casa em Los Angeles. Ainda não sei os motivos e, sinceramente, não me importam. Ele se foi. Foi-se o encanto, os pés elétricos que não paravam e adoravam chutar o ar ou inverter a ordem das coisas e andar para trás. Não sapateava. Não dançava. Fazia outra coisa que ainda não inventamos um nome. E nem vamos. Não surgirá outro que deixe a platéia pensando “como diabos ele faz isso???Eu nunca vi aquilo na minha vida!!!”

Agora que o Pelé dos palcos morreu, a imagem que fica é daquela criança no meio dos irmãos, cantando com uma afinação ímpar, emocionando platéias, contrastando com o morto-vivo dançando na rua. Pro mundo só resta agora lamentar. Pra mim só resta agora a reticência…

O Fim da Obrigatoriedade do Diploma de Jornalista

Junho 18, 2009 por brunoribas

Muito se falou, principalmente no nosso meio jornalístico, sobre o fim ou não da necessidade do diploma de jornalista para exercer a profissão. Bom, o fato é que não cabe mais o que fazer. Acabou. Ponto. Não é mais necessário frequentar uma faculdade de jornalismo, obter o diploma, para, só assim, virar um jornalista. As explicações foram estapafúrdias e me recuso a repetí-las. Eu vou tentar aqui buscar as origens e as consequências desse fato.

Não é de hoje que, principalmente no eixo Rio-São Paulo, as faculdades de jornalismo foram, gradativamente, cedendo lugar às faculdades de rádio e TV. Ou seja, foram tomando ares de curso profissionalizante, o que era defendido por muitos jornalistas, amigos meus. Eles diziam, ao fim de uma faculdade de jornalismo bem conceituada como a Famecos, em Porto Alegre, que jornalista tinha que aprender a escrever e a segurar um microfone. Sempre discordei. Acho que jornalista é muito mais do que isso. Precisa-se de ética, de conceitos. Isso não se aprende, vem de berço, eu sei. Mas a faculdade ao menos nos informa sobre o que é e o que não é ético. Nem que seja para saber e não usar, como alguns fazem.

Com a substituição do nome, vem a substituição da idéia. Talvez por isso seja tão difícil para os sulistas aceitarem essa decisão do supremo. Lá, não existe faculdade que forme jornalistas que não seja uma de jornalismo. Não tem essa história de ênfase em não sei o quê. Com essa mudança na idéia do que é o jornalista, surgiu o debate sobre a necessidade do diploma. Liberdade de expressão uma ova! O problema é que ficou difícil controlar quem é ou quem não é jornalista, com tantos cursos nomeados de maneira aleatória e com matérias distintas. Rádio e TV, comunicação social com ênfase em rádio e TV, comunicação social com bacharelado em jornalismo. É muito nome para o mesmo curso! O país não quer liberdade de expressão. Até porque o próprio presidente em campanha eleitoral xingou os repórteres que queriam relatar os acontecimentos. Não quero condenar ninguém. Só quero a verdade. Isso, sim, é ensinado em um curso de jornalismo.

Bom, agora que a m… foi feita, o que acontecerá? Assim como previ que não se falaria mais em gripe suína dentro de 1 mes e acertei em cheio e que disse que em 2 ou 3 meses ninguém mais falaria nisso, e é o que acontece, me arrisco a escrever aqui o que mudará no cenário.

Muitas pessoas que sempre quiseram ser jornalistas serão, da noite pro dia. Em seguida vão tentar conseguir emprego. Mas aonde, nesse mundo, alguém vai dar emprego para um sujeito que comprou uma profissão? Bom, dizem alguns, tem um monte de gente trabalhando em emissoras de tv e que nunca pisaram numa faculdade de jornalismo! Sim, mas a grande maioria dessas pessoas é apadrinhada de alguém e sempre teria lugar nessas mesmas emissoras. Algumas são parentes de figurões da mídia, outras são “modelo-atriz-manequim” e todos sabemos como chegaram lá. Isso sempre aconteceu e sempre vai acontecer. Além disso, existem alguns cursos de radialista que lhes dão o aval para trabalhar como radialista, apresentador, repórter e comentarista de tv e etc. Agora, quem não se preparou, não vai ter espaço. Qual a vantagem de uma emissora ou um jornal contratar um jornalista que nunca frequentou uma faculdade, se pode pagar um estagiário, que além de aprender na prática e na teoria, recebe bem menos?

Que o ministro errou, isso é nítido. Que lhe faltou conhecimento sobre o assunto, também. Mas, como jornalista, não tenho medo. Diferente dos oportunistas que surgirão, estou preparado.

A Camisa do Leonel

Junho 1, 2009 por brunoribas

Todos nós temos amigos. Alguns tem muitos. Outros, nem tantos. Mas nem todo mundo tem um Leonel como amigo. Não digo o sobrenome dele aqui para não envergonhá-lo em excesso. Mas o Leonel é único. Ele é o cara mais indicado para sair junto, quando você quer que algo NÃO dê certo. Se você quer dar risada, mas muita risada mesmo, saia com o Leonel, mantendo uma distância de 5 metros, em média, e não desgrude os olhos dele. Algo extraordinário, indescritível e que, com certeza, não se repetirá, vai acontecer. Ele vai cair de cara no chão, ou vai bater com o rosto em uma placa, ou mesmo vai ser atropelado por uma bicicleta dirigida por uma velhinha cega. Se uma pedra for cair do céu de Porto Alegre, adivinha a cabeça de quem a maldita vai acertar? Claro! Leonel!

Para não deixar esse texto sobre o Leonel muito longo, vou contar uma pequena história sobre ele:

Morávamos na mesma casa em Londres. Fazíamos o mesmo curso de inglês. Mesmo prédio, mesmo andar, mesmo nível. Porém, turmas separadas. Um certo dia, na hora do intervalo, quando eu descia as escadas cruzei com ele subindo. Cabisbaixo, os braços desleixadamente jogados para baixo. Estava meio curvado, denotando clara tristeza ou frustração. Como ele é um cara sempre alegre, resolvi perguntar o que estava acontecendo.

-Olha aqui, meu! – respondeu ele, me estendendo a sacola da Lilly Whites.

Quem não conhece, deveria conhecer. É uma loja de 5 andares, imensa, no centro de Londres. Cada andar representa um público ou segmento. Tem um andar só para crianças, outro para mulheres, outro para homens e um outro para esportes, de todos os tipos. Além disso tem o andar térreo com muitos tipos de tênis, camisetas e moletons. Está sempre cheia porque tem produtos de marca como Nike, Reebok, Adidas, Puma, entre outras, e com o preço bastante acessível. É parada obrigatória. Além disso, ficava bem ao lado do prédio onde fazíamos o curso.

Eu peguei a sacola, abri e tirei de dentro uma camisa de um time de futebol que eu não me lembro qual era. Leonel é fascinado por futebol e profundo conhecedor do assunto.

-Bah! Que bala!!! – exclamei – Pagou quanto???

-30 pounds!

-Que barato! Afu!

-Afu, nada! Olha o tamanho!!!

Eu estendi a camisa e vi que ela caberia no Leonel se ele tivesse uns 320 quilos! Aquilo não parecia uma camisa, mas sim uma tenda! Não consegui controlar a risada. Na verdade nem tentei. Ele já estava acostumado quando eu ria da desgraça dele!

-Por que tu não troca? – perguntei.

-Não dá. Já mandei botar o número!

Rá!

-E eu juro que eu peguei uma camisa do tamanho certo. Aquela vaca, que botou o número, deve ter trocado na hora, sem querer. – disse ele, pegando a camisa de volta e botando na sacola.

-Que botada!!!- resmungou repetidamente quando voltou a subir as escadas do mesmo jeito que vinha antes de falar comigo.

Eu desci rindo muito, incontrolavelmente. Já estava acostumado com as situações vividas por ele. Mas cada dia era uma nova.

Em breve conto outras histórias mais azaradas, porém verídicas, sobre o Leonel.

Em breve, histórias de Leonel

Junho 1, 2009 por brunoribas

Atendendo a pedidos do meu amigo Fabiano, colocarei, em breve, histórias, situações engraçadas e misteriosas, curiosidades, piadas, envolvendo nosso amigo Leonel durante nosso período de vivência em Londres. Aguardem…

As virtudes

Maio 19, 2009 por brunoribas

Meu grande avô diz até hoje que “a gratidão é a mãe de todas as virtudes”. Segundo a teoria dele, apenas os gratos são dignos. Aqueles que sabem agradecer possuem, necessariamente, outras virtudes. Devem ser bons filhos ou filhas, ou são pessoas de bom coração, tratam os outros com respeito. Por outro lado, os mal agradecidos são pessoas más, ruins, não respeitam os semelhantes, têm inveja de tudo e de todos.

Se pararmos para pensar, o Seu Demétrio tem razão. Não me refiro ao agradecimento comum daqueles que damos aos garçons quando nos trazem mais um copo de cerveja, ou aos convidados de uma festa de aniversário que nos trazem presentes. Quem não fala no mínimo um “obrigado” nesses casos, bom, realmente, esta pessoa não tem mais nada a oferecer ao mundo a não ser morrer, ser cremado e voltar para tentar de novo. Mas eu me refiro – e acho que meu avô também – ao agradecimento profundo, verdadeiro. Aquele que não é dito pela boca, mas por ações. Da mesma maneira que o motivo do agradecimento não pode ser um presente ou um copo de cerveja. Quero dizer, nunca podemos esquecer quem nos estende a mão em momentos de dificuldades. Não deixar cair na gaveta das bugigangas aquela vez que o seu amigo virou o mundo para que você realizasse o seu sonho. Mais do que isso. Saber retribuir à altura quando esse “salvador” estiver em um momento de dificuldade. Afinal, o mundo é redondo, às vezes se está por cima, às vezes por baixo.

No entanto, se a gratidão é a mãe de todas as virtudes, pedir perdão e reconhecer o erro deve estar em uma linha paralela a isso. Agora, imagina reconhecer o erro e expor para o mundo inteiro. Foi o que fez José Trajano, comentarista da ESPN e profundo conhecedor do futebol. Ele disse, em seu vídeoblog, que havia explicitado publicamente a descrença no jogador Ronaldo e no goleiro Marcos. Reconheceu o erro. Humildemente pediu desculpas. Um homem com uma base fortíssima no futebol, está na ESPN há séculos, com uma opinião clara e certeira, tendo um nome e uma reputação a zelar reconheceu que foi precipitado. E que mal há em se precipitar? Que mal há em errar? Nós podemos corrigir nossos erros, podemos pedir desculpas e ser desculpados. Vivemos em um mundo onde as pessoas acham que errar é o fim. Ninguém perde tudo porque cometeu um erro. Errar é humano e isso é a beleza da coisa!  E pedir perdão acrescenta algo fundamental na carreira de um jornalista: credibilidade.

 

 

José Trajano

José Trajano

 

Eu me pergunto: se um profissional como o José Trajano teve a grandeza de admitir que foi, por um instante, pequeno, porque tantas pessoas tem a audácia de afirmar que, em tempo integral, são grandes?

 

Segue abaixo o link do vídeo.

http://espnbrasil.terra.com.br/josetrajano/post/49588_MARCOS+MERECE+UM+BUSTO+NO+PALESTRA+ITALIA#

A Gripe Suína parte 1

Maio 5, 2009 por brunoribas

É um texto longo, mas fácil de ler. Talvez seja útil.

Parte 1

O que os filmes Extermínio, Madrugada dos Mortos, Fim dos Tempos, Eu sou a Lenda, Resident Evil, entre tantos outros têm em comum? A aniquilação total ou quase total da humanidade por vírus invisíveis. Uma contaminação em massa que acabaria com a população e pegaria a todos de maneira rápida e certeira.

O fato é que com a freqüência com que filmes assim são lançados, não é de se espantar que o mundo esteja apavorado com a tal gripe suína. As pessoas usam máscaras, trancam-se em suas casas, com medo, os restaurantes se esvaziam, o comércio diminui drasticamente as vendas. Consequentemente vem o desemprego, o fechamento de empresas, a miséria, a marginalização. Tudo isso por causa de uma gripe que sequer matou 30 pessoas. Em todo o Planeta Terra.

Caros leitores. Sejamos coerentes. No inverno gaúcho, quando a temperatura cai de maneira aguda os hospitais ficam superlotados de crianças e idosos com diversos problemas, principalmente bronquite e doenças respiratórias em geral. E sempre tem gente morrendo por causa disso. Talvez não chegue a 30 pessoas, mas em dois ou três anos, este número é alcançado. E estamos falando de problemas normais como gripe, asma, bronquite! Tudo tem tratamento, tudo é supervisionado. Temos centenas de remédios que ajudam a curar essas enfermidades. E o mundo fica em pânico porque vinte e poucas pessoas morreram em questão de duas semanas e meia de notoriedade.

Eu tento entender essa loucura que tomou conta das secretarias e ministérios da saúde ao redor do mundo. Sei que a vida dos familiares que perderam um ente graças à doença nunca mais será a mesma. Mas será que é motivo para alarde? Vamos assistir ao Datena, da Bandeirantes. Em dois programas, ele mostra o mesmo número de mortes que a tão famosa gripe conseguiu. E isso não causa comoção nem mesmo na cidade de São Paulo. Então para que tanta baderna?

Dirão: a doença é igual a uma gripe comum, mas os remédios atuais não curam; se espalha muito rápido; não temos como controlar; há risco de pandemia.

Nós perdemos duas ou três vezes mais vidas em um único dia no trânsito brasileiro. EM UM ÚNICO DIA!!!! E é por isso que não vamos mais fabricar carros? Que vamos protestar? Que não vamos nem chegar perto de um veículo motorizado? Deixaremos de atravessar a rua? O risco de se morrer em um acidente de trânsito, é infinitamente maior que o risco de qualquer pessoa, até mesmo no México, pegar essa gripe. Em uma população de 6 BILHÕES de pessoas, perder 30, 40, ou até 50 pessoas por causa de um vírus é ridículo, irrisório, chega a ser risível!

Aí vejo no noticiário: “Confirmado: 450 pessoas pegaram o vírus”! Sempre que eu vejo isso, me pergunto em voz alta “só?? no mundo inteiro??”! E tem gente achando que o mundo vai acabar! Ficam falando da tal gripe espanhola, que acabou com parte de população mundial. Quando??? Na época em que dentistas só serviam para extrair o dente. Quando o Brasil sequer sonhava em conquistar uma Copa do Mundo de Futebol. Muito antes da musiquinha “noventa milhões em ação. Pra frente Brasil. Salve, a Seleção”. Noventa milhões! Estamos em quase 200 milhões agora. Num salto de 50 anos, dobramos a população que levou 450 anos para chegar a 90 milhões. E a gripe espanhola foi bem antes da musiquinha que, por sinal, é muito boa. Para combater esse vírus antigo não havia medicamentos eficazes. Agora é diferente. O homem evoluiu, temos flúor na pasta de dente. Não precisamos ir no dentista para aplicar flúor. Conversamos com pessoas do outro lado do mundo e vemos elas pelo computador. Podemos, inclusive, postar textos, vídeos, fotos em blogs. Naquela época o máximo que eu poderia fazer era ir para o centro da cidade gritar minhas idéias. Ou espalhar a notícia pelo jornal que era lido por poucos, graças ao analfabetismo.

Fim da parte 1