Entre mim e o Capitão Nascimento

outubro 22, 2010

2005. Eu tinha retornado ao Rio de Janeiro, a Cidade Maravilhosa, depois de 13 anos. Nasci lá, o que explica a minha malandragem e meu jeito de ver e levar a vida. Mas estava lá, com os olhos marejados, depois de ter deixado cair algumas lágrimas, andando de taxi em frente à Baía de Guanabara. Resolvi puxar um papo com o taxista e entre as conversas, acabamos falando sobre a violência.

– Que bom que o Beira-mar está na cadeia, né? – eu disse

– Pois é… realmente é ótimo – respondeu .  Mas eu vou te dizer uma coisa que ninguém na tevê fala: as pessoas acham que o Beira-mar é o chefão. Não é. Tem gente acima dele. E tem outros mais acima ainda. Mas nesses ninguém pode botar a mão, são muito importantes e muito poderosos. Então pegam um para ser o vilão. Mas o Beira-mar é o terceiro ou quarto, talvez até o quinto, de cima para baixo.

Falamos sobre outras coisas e acabei deixando essa história de lado. Mas esse diálogo me voltou à cabeça ontem, quando assisti ao tão falado e, diga de passagem, fantástico Tropa de Elite 2. Não vou contar o filme, porque não sou estraga prazer. Mas quem assistiu vai entender o que me disse o taxista. Ele sabia do que estava falando. “Gente poderosa, que ninguém põe a mão”. Mas ele se enganou em apenas uma coisa: ele não conhecia o Capitão Nascimento.

Capitão Nascimento vive dentro de cada um de nós, uma espécie de alter ego. Aquela parte que quer fazer justiça, matar os bandidos, pegar uma arma e sair eliminando da Terra essas figuras que, nós sabemos, não deveriam ter nascido. Mas não podemos. Temos que ser racionais, flexíveis e, acima de tudo, não temos uma arma.

Mas lá estava eu, sentado, olho no filme e mão na pipoca. Eu disse PIPOCA. Quieto, atento. Esperei muito tempo para ver o filme. Em uma cena onde o Capitão Nascimento descarrega toda sua fúria no rosto de um figurão, senti as pessoas se mexendo em suas cadeiras, inquietas, sem respirar. Alguns, até com sorriso de satisfação no rosto. Imagino que, assim como eu, queriam levantar e também meter a porrada naquele desgraçado. Sim. O Nascimento estava fazendo justiça por nós.

O filme mexeu comigo de tal forma que me segurei muito para não sair dali e comprar um fuzil e uma passagem para Brasília, só de ida. Mas não sou o Capitão Nascimento. Sou só um produtor e editor do Canal Rural, que acorda às 3:30 da manhã, todo dia, para estar sentado em frente a um computador às 5.

Como já disse em outro post, quando criança, queria ser policial, justiceiro. Na verdade, acho que o que eu queria mesmo era ser Capitão Nascimento. Que Romário o quê! Que Lula o quê! Capitão Nascimento, você é o cara. Até hoje, às vezes, me bate a vontade de virar policial. Largar tudo, fazer concurso, dar tiro em bandido, entrar para o BOE – a versão gaúcha do Bope -, lutar contra o sistema. Talvez por isso Deus tenha me feito grande, alto e forte. Ok, a gordura foi culpa minha. E até nisso eu vejo um pouco do Capitão Nascimento em mim, porque botei na minha cabeça a missão de emagrecer. “E missão dada, parceiro, é missão cumprida”. Bom… cada um com suas batalhas. Afinal, se eu virasse policial, como os produtores rurais ficariam bem informados?

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Estresse é coisa de adulto

março 23, 2010

Depois de quase um ano sem escrever nada aqui, estou de volta. Em muitos sentidos. Voltei a morar em Porto Alegre e a procurar emprego. Mas não sou mais a mesma pessoa. Conheci gente e lugares diferentes, trabalhei em assessoria – o que mudou minha mente sobre este ramo -, comprei uma moto e dirigi ela muito naquele trânsito caótico de São Paulo. Convivi muito com meu pai, o que eu não fazia desde os 12 anos de idade. Enfim, mudei. Mas uma coisa não mudou. Estresse.

A última fase da minha vida onde não tive estresse foi na infância. Verão em Tramandaí. O ritual era o mesmo. Acordar cedo e ir para a praia. Comer milho, picolé, tomar refrigerante e brincar com os primos. Aí voltava perto do meio dia, e ia tomar banho enquanto minha avó fazia batata frita, bife, arroz e feijão. Depois sentava, de sunga limpa, ao sol. A lajota laranja pelando dava uma sensação tão boa de relaxamento que eu chegava a me arrepiar. Mas tinha a sobremesa. Se tu acha que já comeu torta de bolacha boa, é porque ainda não provou a da minha avó. E eu ficava comendo enquanto esperava a Kombi que passava com o megafone anunciando: “rapadurinha de leite, puxa-puxa, balas quebra-queixo, balas de coco, pé-de-moleque, melado, açúcar mascavo, caninha de Santo Antônio da Patrulha.” Era o aviso para eu levantar e ir comprar puxa-puxa.

Preocupação, nenhuma. Não me interessava se a bolsa ia cair ou subir, se o Brasil tinha um PIB maior que sei lá quem, ou o que eu ia ser quando crescer. Pensava, sim, e muito. Astronauta, piloto de moto, cantor, jogador do Inter e da Seleção, herói de guerra, justiceiro, ninja. Mas não me preocupava. Dinheiro, para mim, caía do céu porque eu não trabalhava e ganhava mesada.

Quando esta fase acabou, começou o estresse. Era a guria que eu queria namorar e não me dava bola, eram as provas que ficavam cada vez mais difíceis, o vestibular, estágio, trabalho e por aí vai. Acho que talvez seja isso que diferencie os adultos das crianças: o nível de estresse. E o pior é que não tem remédio para isso. É questão de conseguir suportar a pressão. Só espero que eu consiga fazer com que meus filhos, quando chegarem, tenham o prazer de se sentar ao sol comendo puxa-puxa e divagando sobre o que podem ser quando crescerem, enquanto eu trabalho como um animal para garantir isso a eles. E posso assegurar que nada nesse mundo me faria mais feliz.

Leonel, o Cleaner

julho 29, 2009

Mais uma da saga de Leonel! Eu não havia chegado ainda em Londres, então ouvi os relatos do próprio envolvido.

Leonel era cleaner. É um nome chique, mas significa faxineiro. Lá é muito comum que os escritórios contratem uma empresa para fazer a limpeza. Essa empresa tem um banco de dados e liga para os cleaners para que eles limpem tudo. Normalmente se trabalha das 5 da manhã até as 7, horário em que chegam os funcionários do escritório. Meu amigo, Leonel, pegava o ônibus noturno, e chegava sempre no horário. Mas, claro, essa é uma história do Leonel.

Um dia, ele não acordou no horário, perdeu o ônibus, tendo que esperar outro. Chegou cerca de 20 minutos atrasado. Logo na portaria, encontrou um sujeito que ele nunca tinha visto antes. Leonel analisou-o de cima a baixo e entendeu que era outro faxineiro, talvez de outra empresa.

-Você deseja alguma coisa? –perguntou o outro faxineiro

-Não. Vim trabalhar, sou cleaner. Me atrasei um pouco, hoje.

-Um pouco? Você trabalha só 2 horas e chega 20 minutos atrasado?

-Ah, vai à merda! Sai da frente que eu tenho que trabalhar.

Leonel passou pelo sujeito, deixou-o falando sozinho, pegou o elevador e iniciou o seu trabalho. Perto das seis e meia, ele encontrou um amigo cleaner em um corredor e iniciaram uma conversa.

-Me atrasei hoje, uns 20 minutos. – iniciou Leonel.

-Putz! Justo hoje?

-Por quê? O que é que tem hoje?

-Não sei se tu viu um cara na portaria. Pois é. Ele é o nosso chefe.

Rá!

Erramos – O Fim da Advinhação

julho 22, 2009

Quem acompanhou alguns dos últimos posts pôde observar que fiz algumas previsões. No início sobre a Gripe Suína e depois sobre o fim da obrigatoriedade do diploma de jornalista.

Venho aqui dizer que falhei. Feio.

Acertei quando disse que a Gripe sumiria dos noticiários como, de fato, sumiu. Mas disse que em 2 ou 3 meses ninguém se lembraria dela. Aí começou a sucessão de enganos. Veio o inverno. A Gripe se alastrou e as mortes, que atingiram o hemisfério norte no início da “onda”, agora castigam os países do sul. A Argentina já tem números impressionantes. No Brasil, o número não é tão grande, mas vem crescendo.

Maldito inverno, que fez de mim uma espécie de Mãe Dinah. Lembram dela? Acertou em cheio na morte dos Mamonas Assassinas e depois daquele “feito” nunca mais previu nada de maneira certeira. Errou tudo! Assim fui eu: acertei no início e todo o resto foi por água abaixo.

Assim, declaro aqui, o fim da advinhação.

Ps. Essa medida pode ser revogada a qualquer momento sem prévio aviso. hehehe

O Cartão de Crédito do Leonel

julho 10, 2009

Já escrevi aqui sobre o Leonel, a pessoa mais azarada do mundo. Ele tem uma família bacana, com uma boa condição financeira e uma bela namorada. Mas é azarado.

Nessa época, dividíamos um quarto – camas separadas, diga-se de passagem – em Londres. Leonel se arrumava para sair. Eu tinha resolvido ficar em casa. Trabalhava no outro dia pela manhã e não estava muito disposto. Já meu colega de quarto adorava sair, apesar de sempre acontecer algo errado com ele.

-Ô, meu. Tu viu meu cartão? – ele perguntou.

-De crédito?

-É.

-Não. Não vai me dizer que perdeu! – respondi, temendo o óbvio.

– Não sei, não estou achando.

Não achou.Tinha perdido. Ou, como ele acredita, deve ter esquecido DENTRO do caixa eletrônico. Acabou indo sem cartão de crédito. Pegou os últimos pounds que tinha na calça e saiu de casa. Mas antes resolveu levar o passaporte. Lá é assim. Se o segurança da boate não gostar de você, não adianta chorar que não vai entrar. Então, como já haviam barrado o Leonel por levar uma cópia do passaporte, levou o original.

Dormi.

Acordei no outro dia, me arrumei para ir trabalhar e quando estou saindo, o Leonel acorda meio assustado:

-Ô, meu. Tu viu meu passaporte?

Fui obrigado a rir. Devo ter ficado o dia inteiro rindo disso. Quando cheguei em casa, ele estava nervoso. Tinha voltado na boate mas ninguém tinha encontrado o passaporte dele. Para quem vai para o exterior este é o documento mais importante de todos. E o Leonel perdeu.

-Agora eu tenho dinheiro na conta e não tenho como sacar, não tenho passaporte. Eu sou uma Lata de Lixo.

Ponho “Lata de Lixo” em maiúsculo, porque acabou por se tornar o apelido do Leonel, devido à inacreditável repetição de “botadas”, mais tarde sendo reduzido apenas a “Lata”. “de Lixo” virou sobrenome.

O fato é que era sério. Ele recebia o salário através do banco e precisava do cartão. Já havia pedido uma segunda via – a primeira de muitas –, mas nada de chegar o cartão. Oferecíamos ajuda, comida, dinheiro, enquanto o maldito não chegava. Orgulhoso, recusava. Até que um dia, foi ao banco implorar para sacar algum.

-Olha, eu não aguento mais. Eu preciso sacar um dinheiro da minha conta e o cartão não chega.

– Ah, sem problema. É só me trazer o seu passaporte.

Rá!

Lula e Ronaldo

julho 7, 2009

Poucas coisas na vida dão um nó no estomago maior do que ter que encarar alguém de quem você falou mal, considerando que essa pessoa também o ofendeu. Agora, imagine se ambos são obrigados a se aturar e até fingir admiração. Esses dias o Brasil presenciou este fato entre 2 figuras famosas da nossa pátria amada.

Vamos voltar no tempo. O ano é 2006. A seleção canarinho ousava conquistar pela sexta vez um título mundial. O grande astro verde-amarelo era Ronaldo. Mas estava gordo. O povo sabia que não levaria o mundial, mas precisava acreditar. A dúvida era tanta que a autoridade máxima do país, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, resolveu fazer uma videoconferência com Parreira, o técnico.

-Parreira, eu ouvi dizer que o Ronaldo está gordo. Ele diz que não. É verdade que ele está gordo?

O comandante da seleção fugiu pela tangente para não dizer o óbvio, o visível. Sabendo da pergunta, Ronaldo ficou muito irritado.

-Pois é. Dizem que o nosso presidente é um bêbado. Mas não é por isso que eu vou acreditar que ele é um bêbado. Mas eu gostaria de saber dele.

Não houve resposta. Para ambas as perguntas a resposta seria a mesma. Mas o povo, ah, o povo, preferiu acreditar que vivíamos sob o comando de um homem sóbrio e de um atacante magro. Perdemos a Copa e culpamos Parreira, Roberto Carlos.

Vamos avançar no tempo. 2009. Corinthians ganha a Copa do Brasil. O presidente Lula, corinthiano roxo, implora que o time, antes do retorno a São Paulo, vá à Brasília, visitá-lo. Ele queria dar os parabéns ao time. E quem, ó, destino, era o maior responsável pela incrível campanha do alvinegro? Sim, Ronaldo. Se abraçaram. Se beijaram. Lula sabe que o atacante foi fundamental, reconhece isso. Sem ele, nada disso teria acontecido. Ronaldo diz, nessa segunda-feira, 6 de julho, no Bem Amigos, do Sportv, que Lula apóia muito o Corinthians e que a situação atual do time deve-se em grande parte ao presidente. Afirmou que o líder do país não mede esforços para ajudar o Corinthians –declaração que me deixou bastante abismado e curioso para saber que tipo de apoio o presidente dá ao clube. Que venha mais uma CPI.

Agora é assim. O gordo e o bêbado, juntos, dançando a valsa nupcial. Mas eu tenho certeza que, no fundo, sentem um tremendo nó no estomago.

Foi-se Michael Jackson

junho 26, 2009

Morreu, ontem, o maior artista musical de todos os tempos. Não estou desmerecendo a voz afinada de Frank Sinatra. Nem o gingado e o ressoar profundo de Elvis Presley, com seu “Love me Tender”. Também não digo que os Beatles foram pouco. Beatles, na minha opinião foi a maior banda que já existiu, apesar de não ter vivenciado a época de ouro deles, o que me dá um pouco de racionalidade para tal julgamento. Os garotos de Liverpool, que tocavam no The Cavern, bar que conheci pessoalmente e me emocionei profundamente ao tomar cerveja com amigos sentado em frente ao palco que lançou o quarteto, foram demais. Ainda o farei novamente, ao lado da Renata, minha namorada. Faço deste texto, uma homenagem ao maior de todos. O único. O inigualável. Michael Jackson.

Quem não conhece o assunto talvez pense nele como um pedófilo sacana, que queria ser branco e por isso virou um ET com cara deformada. Bom, talvez exista alguma verdade nisso. Mas não acredito na pedofilia. Não acredito. Dou de ombros para quem o faça. Escrevo a seguir um pequeno resumo. Talvez explique o porquê de ele ser assim.

Michael Jackson nasceu pobre, filho de um louco que espancava ele e os outros irmãos quando desafinavam. Foi cercado de pobreza, violência, preconceito ( naquela época, música negra era James Brown com seu “i feel good”) que o cérebro dele deu tilt. Mesmo nesse meio e com pouca idade, tomou lugar principal nos Jacksons 5, e mostrou ao mundo que negro também sabia cantar. E cantar muito. “Ben” e “I’ll be There” talvez sejam os maiores exemplos disso. Até hoje me arrepio ao ouvi-lo, ainda criança, cantando tão afinado.

Cresceu. Enriqueceu. Mas o cérebro já tinha pifado. Não adianta “reboot”, nem “Deltree c:”. Começou a ter manias, queria ser branco. Afinal, cresceu em um lugar onde negro não valia nada. Tinha vergonha de ser negro. Tinha vergonha de ter vindo de onde veio. Conforme crescia, criava músicas e videoclipes simplesmente fenomenais. Smooth Criminal, Billie Jean. Cheios de efeitos especiais. Thriller. Até hoje, não vi clipe melhor que esse. Minha irmã de 11 anos não consegue acompanhar até o fim porque se borra de medo. A dança é hipnotizante.

Ficar branco tornou-se obsessão. Gastou fortunas em cirurgias, embora muita gente culpe uma doença chamada vitiligo pela mudança na coloração da pele. Criou NeverLand, a Terra do Nunca. Queria que outras crianças tivessem a infância que ele não teve. Que elas nunca crescessem porque sentia na pele as responsabilidades de ser mega.

Veio talvez o maior sucesso dele, Black or White. O nome diz tudo. Começava uma campanha contra problemas sociais como racismo, pobreza, guerras, violência e desmatamento. Antes de tratados de Kioto. Michael pensava nisso em um período pré-consciência sobre aquecimento global.

Ele tinha criado o Moonwalk, até hoje tentado imitar por todos – quem nunca tentou fazer esse passo? – e conseguido por poucos, mesmo sabendo a teoria. Tinha mostrado o seu lado mau com o hit “Bad”, provocou com a sensualidade em “The Way you Make me Feel”, e criou “Beat it” sucesso mundial.

Veio o problema com as crianças. Não. Não creio que ele tenha abusado sexualmente delas. Penso que falou, sim, sobre temas relacionados a sexo com crianças que mal sabiam o que era isso. Mas a cabeça dele já não conectava os neurônios. Balançava os filhos nas janelas dos hotéis, casava, separava, perdia dinheiro. Muito dinheiro. Afastou-se dos palcos. Teve que vender parte dos direitos que tinha sobre os Beatles. E também NeverLand. Duro golpe sofrido.

No fim, resolveu voltar. Marcou trocentos shows na Inglaterra e tinha agenda lotada até 2010. Mas a morte o encontrou, em sua casa em Los Angeles. Ainda não sei os motivos e, sinceramente, não me importam. Ele se foi. Foi-se o encanto, os pés elétricos que não paravam e adoravam chutar o ar ou inverter a ordem das coisas e andar para trás. Não sapateava. Não dançava. Fazia outra coisa que ainda não inventamos um nome. E nem vamos. Não surgirá outro que deixe a platéia pensando “como diabos ele faz isso???Eu nunca vi aquilo na minha vida!!!”

Agora que o Pelé dos palcos morreu, a imagem que fica é daquela criança no meio dos irmãos, cantando com uma afinação ímpar, emocionando platéias, contrastando com o morto-vivo dançando na rua. Pro mundo só resta agora lamentar. Pra mim só resta agora a reticência…

O Fim da Obrigatoriedade do Diploma de Jornalista

junho 18, 2009

Muito se falou, principalmente no nosso meio jornalístico, sobre o fim ou não da necessidade do diploma de jornalista para exercer a profissão. Bom, o fato é que não cabe mais o que fazer. Acabou. Ponto. Não é mais necessário frequentar uma faculdade de jornalismo, obter o diploma, para, só assim, virar um jornalista. As explicações foram estapafúrdias e me recuso a repetí-las. Eu vou tentar aqui buscar as origens e as consequências desse fato.

Não é de hoje que, principalmente no eixo Rio-São Paulo, as faculdades de jornalismo foram, gradativamente, cedendo lugar às faculdades de rádio e TV. Ou seja, foram tomando ares de curso profissionalizante, o que era defendido por muitos jornalistas, amigos meus. Eles diziam, ao fim de uma faculdade de jornalismo bem conceituada como a Famecos, em Porto Alegre, que jornalista tinha que aprender a escrever e a segurar um microfone. Sempre discordei. Acho que jornalista é muito mais do que isso. Precisa-se de ética, de conceitos. Isso não se aprende, vem de berço, eu sei. Mas a faculdade ao menos nos informa sobre o que é e o que não é ético. Nem que seja para saber e não usar, como alguns fazem.

Com a substituição do nome, vem a substituição da idéia. Talvez por isso seja tão difícil para os sulistas aceitarem essa decisão do supremo. Lá, não existe faculdade que forme jornalistas que não seja uma de jornalismo. Não tem essa história de ênfase em não sei o quê. Com essa mudança na idéia do que é o jornalista, surgiu o debate sobre a necessidade do diploma. Liberdade de expressão uma ova! O problema é que ficou difícil controlar quem é ou quem não é jornalista, com tantos cursos nomeados de maneira aleatória e com matérias distintas. Rádio e TV, comunicação social com ênfase em rádio e TV, comunicação social com bacharelado em jornalismo. É muito nome para o mesmo curso! O país não quer liberdade de expressão. Até porque o próprio presidente em campanha eleitoral xingou os repórteres que queriam relatar os acontecimentos. Não quero condenar ninguém. Só quero a verdade. Isso, sim, é ensinado em um curso de jornalismo.

Bom, agora que a m… foi feita, o que acontecerá? Assim como previ que não se falaria mais em gripe suína dentro de 1 mes e acertei em cheio e que disse que em 2 ou 3 meses ninguém mais falaria nisso, e é o que acontece, me arrisco a escrever aqui o que mudará no cenário.

Muitas pessoas que sempre quiseram ser jornalistas serão, da noite pro dia. Em seguida vão tentar conseguir emprego. Mas aonde, nesse mundo, alguém vai dar emprego para um sujeito que comprou uma profissão? Bom, dizem alguns, tem um monte de gente trabalhando em emissoras de tv e que nunca pisaram numa faculdade de jornalismo! Sim, mas a grande maioria dessas pessoas é apadrinhada de alguém e sempre teria lugar nessas mesmas emissoras. Algumas são parentes de figurões da mídia, outras são “modelo-atriz-manequim” e todos sabemos como chegaram lá. Isso sempre aconteceu e sempre vai acontecer. Além disso, existem alguns cursos de radialista que lhes dão o aval para trabalhar como radialista, apresentador, repórter e comentarista de tv e etc. Agora, quem não se preparou, não vai ter espaço. Qual a vantagem de uma emissora ou um jornal contratar um jornalista que nunca frequentou uma faculdade, se pode pagar um estagiário, que além de aprender na prática e na teoria, recebe bem menos?

Que o ministro errou, isso é nítido. Que lhe faltou conhecimento sobre o assunto, também. Mas, como jornalista, não tenho medo. Diferente dos oportunistas que surgirão, estou preparado.

A Camisa do Leonel

junho 1, 2009

Todos nós temos amigos. Alguns tem muitos. Outros, nem tantos. Mas nem todo mundo tem um Leonel como amigo. Não digo o sobrenome dele aqui para não envergonhá-lo em excesso. Mas o Leonel é único. Ele é o cara mais indicado para sair junto, quando você quer que algo NÃO dê certo. Se você quer dar risada, mas muita risada mesmo, saia com o Leonel, mantendo uma distância de 5 metros, em média, e não desgrude os olhos dele. Algo extraordinário, indescritível e que, com certeza, não se repetirá, vai acontecer. Ele vai cair de cara no chão, ou vai bater com o rosto em uma placa, ou mesmo vai ser atropelado por uma bicicleta dirigida por uma velhinha cega. Se uma pedra for cair do céu de Porto Alegre, adivinha a cabeça de quem a maldita vai acertar? Claro! Leonel!

Para não deixar esse texto sobre o Leonel muito longo, vou contar uma pequena história sobre ele:

Morávamos na mesma casa em Londres. Fazíamos o mesmo curso de inglês. Mesmo prédio, mesmo andar, mesmo nível. Porém, turmas separadas. Um certo dia, na hora do intervalo, quando eu descia as escadas cruzei com ele subindo. Cabisbaixo, os braços desleixadamente jogados para baixo. Estava meio curvado, denotando clara tristeza ou frustração. Como ele é um cara sempre alegre, resolvi perguntar o que estava acontecendo.

-Olha aqui, meu! – respondeu ele, me estendendo a sacola da Lilly Whites.

Quem não conhece, deveria conhecer. É uma loja de 5 andares, imensa, no centro de Londres. Cada andar representa um público ou segmento. Tem um andar só para crianças, outro para mulheres, outro para homens e um outro para esportes, de todos os tipos. Além disso tem o andar térreo com muitos tipos de tênis, camisetas e moletons. Está sempre cheia porque tem produtos de marca como Nike, Reebok, Adidas, Puma, entre outras, e com o preço bastante acessível. É parada obrigatória. Além disso, ficava bem ao lado do prédio onde fazíamos o curso.

Eu peguei a sacola, abri e tirei de dentro uma camisa de um time de futebol que eu não me lembro qual era. Leonel é fascinado por futebol e profundo conhecedor do assunto.

-Bah! Que bala!!! – exclamei – Pagou quanto???

-30 pounds!

-Que barato! Afu!

-Afu, nada! Olha o tamanho!!!

Eu estendi a camisa e vi que ela caberia no Leonel se ele tivesse uns 320 quilos! Aquilo não parecia uma camisa, mas sim uma tenda! Não consegui controlar a risada. Na verdade nem tentei. Ele já estava acostumado quando eu ria da desgraça dele!

-Por que tu não troca? – perguntei.

-Não dá. Já mandei botar o número!

Rá!

-E eu juro que eu peguei uma camisa do tamanho certo. Aquela vaca, que botou o número, deve ter trocado na hora, sem querer. – disse ele, pegando a camisa de volta e botando na sacola.

-Que botada!!!- resmungou repetidamente quando voltou a subir as escadas do mesmo jeito que vinha antes de falar comigo.

Eu desci rindo muito, incontrolavelmente. Já estava acostumado com as situações vividas por ele. Mas cada dia era uma nova.

Em breve conto outras histórias mais azaradas, porém verídicas, sobre o Leonel.

Em breve, histórias de Leonel

junho 1, 2009

Atendendo a pedidos do meu amigo Fabiano, colocarei, em breve, histórias, situações engraçadas e misteriosas, curiosidades, piadas, envolvendo nosso amigo Leonel durante nosso período de vivência em Londres. Aguardem…